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COVID 19 (POST VIII) EMPREENDEDORISMO SOCIAL PÓS PANDEMIA: Desafio das ONGS em meio à crise econômica


O QUE O MUNDO ENFRENTARÁ APÓS A PANDEMIA DO COVID19? Entre as muitas incertezas em diversos setores da sociedade, o POST VIII da série COVID 19 aborda a questão do terceiro setor, entre elas as ONGS e os desafios que já estão enfrentando para manutenção das atividades desenvolvidas em defesa dos mais necessitados, sejam crianças em situação de vulnerabilidade, sejam idosos, pessoas com deficiência, ou mesmos as vítimas de violência de doméstica, geralmente o público a que se destinam as ações do terceiro setor.
O convite à reflexão é feito pelo professor e técnico ministerial do MPMA, Marcus Krause, e Presidente da Associação “Toda Criança Feliz”, no município de Pedreiras, no Maranhão. Confira:

“Empreendedorismo social pós COVID 19: Desafio das ONGs em meio à crise econômica e social.

O Terceiro Setor tem um papel fundamental na promoção da igualdade social no mundo inteiro, formado por organizações sem fins lucrativos e não governamentais cujos objetivos visam promover o bem, e dar assistência e amparo aos excluídos, hipossuficientes, desempregados, órfãos, crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, negros, mulheres vítimas de violência, enfim, todos aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade sócio econômica ou à margem da sociedade.


As Entidades do Terceiro Setor realizam atividades diversas na tentativa de amenizar a situação de pobreza na qual vivem milhões de pessoas no mundo, através de uma infinita gama de ações às quais realizam, que vão desde a oferta de cursos profissionalizantes, como forma de inserção ou reinserção no mercado de trabalho, ao acolhimento de pessoas em situação de abandono ou mendicância.

Só no Brasil, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) 23,3 milhões de pessoas entraram na linha da pobreza, no período entre 2014 e 2017. Mais preocupante, é o fato de que vivemos atualmente em um momento de pandemia, ocasionada pelo Coronavírus, o que pode agravar mais ainda o cenário da pobreza no nosso país e no mundo, diante de incertezas pós COVID-19. A ONU estima que 500 milhões de pessoas podem ser empurradas para a pobreza, em consequência da crise causada pelo Coronavírus, dados que merecem atenção, no sentido de planejar ações para tentar minimizar a situação de caos social.

Diante da necessidade de adoção de medidas de combate à pandemia, os governos deverão ter retração em suas economias, uma vez que todos os recursos estão sendo destinados às ações mitigadoras e preventivas. Isso faz com que o futuro das economias das prefeituras, dos governos estaduais e do federal seja incerto, podendo haver, em muitos entes federativos um caos de ordem econômica.

Este cenário também preocupa as entidades do Terceiro Setor, primeiro porque estas organizações tem como público alvo, pessoas que se encontram na linha da pobreza e/ou vivem em situação de vulnerabilidade social, e, considerando os efeitos devastadores do Coronavírus, deverá haver uma multiplicação de pessoas que necessitarão ser enquadradas em algum programa oferecido por ONGs, em todo o país, segundo porque essas organizações dependem, exclusivamente de recursos oriundos de subvenções, originadas do poder público ou doações de pessoas físicas ou jurídicas. Com a crise que está afetando tanto o poder público quanto o setor privado, as receitas destas entidades também poderão ser afetadas, e, consequentemente, terão que reduzir suas ações de combate à pobreza e promoção da igualdade social ou adaptar-se à nova realidade, ainda incerta. Se de um lado as entidades do Terceiro Setor, correrão riscos de terem redução em sua capacidade de atendimento, do outro lado o número de pessoas que precisarão de amparo social e econômico, terá uma escala muito maior do que o previsto. O resultado desses cálculos poderá trazer impactos imensuráveis à realidade social no Brasil, e, principalmente nos Estados mais pobres, como os da região Nordeste, pois o trabalho que as organizações do Terceiro Setor realizam é de extrema relevância, vez que muitos lugares no Brasil, a atuação do poder público não se mostra eficaz no combate à pobreza. Em muitos lugares do sertão nordestino, ou áreas de favelas, por exemplo, o poder público não emprega políticas públicas efetivas: é ali onde muitas Ongs realizam um trabalho inigualável de cuidado das pessoas que vivem nesses lugares.

Só para ter uma ideia do que estamos falando, podemos citar como exemplo o trabalho desenvolvido pelas APAEs no Brasil que atendem diariamente cerca de 2.500 pessoas com deficiência intelectual e múltipla, a ONG Amigos do Bem, contempla 10 mil crianças e jovens em seu centro de transformação, atende mensalmente 75 mil pessoas e gera mil empregos no sertão nordestino. Imaginemos que estas entidades sejam afetadas economicamente e tenha que reduzir sua capacidade de atendimento, sendo obrigadas a fechar algumas de suas unidades, o caos seria bem maior do que se imagina.
 
Muitas destas entidades já estão com atividades paralisadas por conta das medidas de prevenção, determinadas pelos órgãos sanitários, o que já nos faz pensar em como estão vivendo as pessoas em situação de vulnerabilidade, que são beneficiadas pelas ações de ONGs como estas.

Restarão, às organizações do Terceiro Setor, buscarem alternativas e soluções para, não apenas manter as suas ações, mas na possibilidade de ampliar suas capacidades de atendimentos, uma vez que isso será necessário para contemplar aqueles que infelizmente, ingressarão nas tristes estatísticas da extrema pobreza. 
Portanto, após a crise sanitária da pandemia, com o aumento dos casos de extrema pobreza no país, mais do que nunca, as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade, necessitarão de apoio das Entidades do Terceiro Setor, uma vez que o poder público, por meio das suas políticas públicas, não terá como lidar, sozinho, com todas as situações sociais que surgirão, pós COVID-19."
MARCUS PERIKS BARBOSA KRAUSE
Mestre em Ciências da Educação; Especialista em Língua Portuguesa com ênfase em gramática; Especialista em Gestão e governança em Ministério Público, Licenciado em Letras, Graduando em Pedagogia, Membro da Academia Pedreirense de Letras, Professor, Técnico Ministerial do Ministério Público do Estado do Maranhão.

Referências no texto e nos seguintes links:


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